terça-feira, 2 de junho de 2015

Tema 206: a importância das campanhas de vacinação

          Escreve um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema A importância das campanhas de vacinação,  evidenciadas ainda mais com o lançamento da campanha de vacinação contra o HPV

Tema 205: escassez de água

Sabemos que a água potável é um recurso cada vez mais escasso no planeta. Em 2007 a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que cerca de 1,1 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e estima-se que dois milhões de crianças morrem todos os anos pela falta dela ou de saneamento básico.
Parece controverso que o planeta terra, que é constituído por dois terços de água, não possa abastecer sua população que já ultrapassou os 6 bilhões de indivíduos. Teoricamente, ela não deveria faltar. O problema que quase toda esta água encontra-se distribuída sob a forma de gelo ou água salgada, o que impede seu consumo imediato pelo homem. E para piorar, sua distribuição pela superfície do planeta é desigual.
Alguns lugares são naturalmente secos, o que exige que a água tenha que ser captada longe do local onde será consumida, tornando necessários investimentos em estruturas de captação e distribuição, além do tratamento. Isso encarece e, muitas vezes inviabiliza seu acesso às pessoas que não tem tantas (ou nenhuma) condições de pagar.
Como se já não bastassem todas as dificuldades impostas pela natureza, junta-se a isso, as dificuldades impostas pelo homem. Em regiões como o Oriente Médio, por exemplo, a água virou objeto de disputa entre países e um dos motivos que fazem perpetrar um dos conflitos mais antigos da humanidade. Na África, a água já foi elemento de discriminação racial quando, na época doapartheid só os brancos podiam ter acesso a ela.
O grande problema, além dos já apontados, é que nos lugares onde há grande disponibilidade de água, há uma “cultura de desperdício” onde se prega, erroneamente, que a água é um bem que nunca faltará.
Felizmente, essa cultura vem sendo combatida e, aos poucos, a população do mundo todo têm se conscientizado da importância de economizar e encontrar meios de reutilizar a água de maneira mais racional.
No Brasil, um tema bastante discutido é a questão da “cobrança pelo uso da água”. Em alguns países, como a França e a Alemanha, a prática de se cobrar pela captação e diluição de resíduos em corpos d’água já é bastante difundida, mas no Brasil, ainda são poucos os Estados que aderiram à idéia.
Na experiência brasileira os recursos conseguidos com esta cobrança não são suficientes para financiar todos os custos que envolvem a recuperação da bacia impactada. Contudo cobrar pela utilização da água faz com que haja o que podemos chamar de “conscientização forçada”: já que é difícil convencer pela razão, convence-se pelo bolso. Claro que, neste caso, a cobrança é feita apenas para a captação e dissolução de poluentes, ou seja, aplica-se apenas às indústrias, companhias de saneamento e abastecimento e uso agrícola, todas estas, atividades que lucram com este uso.
Já quando falamos na possibilidade de se cobrar pelo uso da água do consumidor final (pessoa física), a proposta, embora com boas intenções, esbarra em um dos direitos básicos do homem que é ter suas necessidades básicas de sobrevivência supridas; o que inclui acesso a água potável. Por isso, as propostas neste sentido, costumam englobar um limite mínimo de consumo dentro do qual o uso não é cobrado.
Parece demais dizer que se deve pagar pelo uso de um bem que deveria ser, por direito, de todos, para pessoas que vivem em um país com uma das maiores cargas tributárias do mundo. A questão é que tudo isso visa inibir o desperdício de um bem escasso e caro. Segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas, nos locais de menor renda o acesso à água costuma ser mais caro. As populações que vivem em favelas na América do Sul, por exemplo, gastam em média 10% de sua renda com água, enquanto que na Inglaterra isso não ultrapassa os 3%.
Enfim, há quem se preocupe com possíveis guerras futuras por causa da água. Estes talvez pensem que dois milhões de crianças mortas por ano ainda é pouco. A verdade é que muito mais que dificuldades geográficas e climatológicas, o que existe de fato é o que Kemal Dervis, administrador do PNUD, e Trevor Manuel, ministro de Finanças Públicas da África do Sul, chamaram de falta de vontade política (artigo publicado em novembro de 2006 no site da ONU Brasil) por parte de governos e instituições.

TEMA DE REDAÇÃO: escreve um texto dissertativo-argumentativo sobre  A ESCASSEZ DE ÁGUA NO BRASIL. Lembra de apontar proposta de solução para o problema proposto. 

Tema 204: discursos de ódio na internet

"A violência na internet não tem tamanho. Um simples comentário pode transformar e gerar traumas na vida de uma pessoa. Na última reportagem da série “Intolerância na Internet”, o@tech mostra as consequências de quem sofre esse tipo de violência, além do papel dos pais e da escola na hora de conscientizar e educar sobre qual comportamento seria o correto nas redes sociais. Ansiedade e depressão podem levar de problemas físicos a atitudes extremas, como o suicídio. Cabe aos responsáveis identificar esses comportamentos para evitar essas tragédias."

"Os traumas para quem sofre o cyberbullying podem ser permanentes. Sentir-se seguro fora das relações digitais torna-se um problema para as vítimas. “Isso sempre aconteceu, era restrito em ambientes como escola e casa, mas agora, com a internet, se tornou algo ilimitado”, explicou a sexóloga Silvana Melo. Ansiedade e depressão são alguns dos sintomas con­sequentes dessa violência. “Esses comentários de intolerância estimulam sentimentos de inferioridade e podem desenvolver outros problemas co­mo bulimia, anorexia e até obesidade. Isso repercute sobre a auto estima da pessoa e pode permanecer até a vida adulta”, complemen­­ta.


Nas redes sociais, todos po­dem ser vítimas da cultura do ódio. Pessoas diferentes no com­portamento, tipo físico, raça. A pernambucana Maria* namora com João* (nomes fictícios), funcionário público do Rio Grande do Sul. Ela é negra. Ele, branco. Após colocar no Facebook uma foto do casal relaxando em uma praia, ela recebeu comentários irônicos e insultos. “Sabia que as pessoas eram preconceituosas, principalmente por nossa diferença de cor. Mas ler aquelas frases me machucou”, relata. Hoje ela não deixa mais o perfil aberto para todos, apenas seus amigos podem ver as postagens. “Foi melhor para evi­tar conflitos sobre namorar uma pessoa branca”."

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Filhos devem ser orientados


Pais e escolas têm papel fundamental na hora de ajudar os filhos a enfrentarem o cyberbullying, afirma a sexóloga Silvana Melo. Nem sempre é possível reconhecer os sintomas de alguém que sofre essa violência e, em boa parte dos casos, a supervisão do que é feito na internet acontece de forma errada. “É importante que eles tenham um espaço onde possam refletir e conversar sobre os perigos da internet, limitando a exposição nas redes sociais e as brincadeiras feitas dentro dessas páginas”, analisa. Manter mais relações sociais offline também pode evitar essa exposição nas redes. “Tem que envolver relacionamentos ao vivo e outras atividades como cinema, leitura”, explica a sexóloga. Quanto aos jovens, eles devem trabalhar a autoestima. “É importantíssimo trabalhar isso. Todos nós somos diferentes. Nenhum ser humano é igual e, mesmo que não acompanhe o ‘padrão’, cada pessoa tem sua beleza e qualidade. Ela tem que enxergar isso”, ressalta.

Dos padrões impostos pela sociedade, o importante é focar nas qualidades. “O que a ‘moda’ dita é muito variável. Já houve época em que o belo era o gordo. É importante deixar claro que tudo isso é mutável e focar nas qualidades”, finaliza Silvana Melo. 


Cyberbully: para ver e refletir


No filme Bullying Virtual (Cyberbully. EUA, 2011), a adolescente Taylor Hillridge (Emily Osment) ganha um computador em seu aniversário de 17 anos. Podendo acessar sem a supervisão constante da mãe Kris (Kelly Rowan), a garota se vê vítima de cyberbullying em uma rede social após usuários postarem comentários abusivos sobre ela.


As coisas fogem do controle quando um garoto espalha na internet que os dois dormiram juntos. A adolescente acaba sem o apoio das amigas Samantha Caldone (Kay Panabaker) e Cheyenne Mortenson (Meaghan Rath) e também evita contar para sua mãe. 



Com medo de encarar os amigos na escola e também de buscar ajuda para enfrentar o bullying, Taylor toma medidas drásticas e tenta o suicídio para acabar de vez com o problema. Bullying Virtual discute sobre os verdadeiros perigos que existem no mundo online ao trabalhar situações vividas por adolescentes e mostrar a pressão social dos jovens ao se verem forçados a entrarem em relacionamentos digitais, além dos riscos e consequências dessa violência para eles e as famílias das vítimas. "

um professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) escreveu em seu perfil no Facebook um texto com teor homofóbico. Instantes depois, vários usuários começaram a criticá-lo. O post do docente foi compartilhado e muitos estudantes e movimentos sociais abriram uma denúncia contra o funcionário e a instituição ficou de investigar o caso. “As redes sociais são um ambiente que possui uma autorregulamentação grande. Quando uma pessoa pratica um crime evidente, ele recebe uma punição mais eficiente que qualquer sistema penal do mundo pode trazer”, explicou o presidente da OAB Pernambuco, Pedro Henrique Alves, citando como exemplo comentários preconceituosos sobre o Nordeste de um piloto da Avianca.

Também no Facebook, o piloto publicou, em março, que tu­do no Nordeste era “porco, no­jento e medíocre”. O comen­­tário gerou revolta e a companhia aérea informou, dias depois, que ele não fazia mais parte do qua­dro de funcionários da empresa. “Há uma reprovação so­­cial para esse tipo de condu­ta. O usuário sente os efeitos ne­gativos desse comportamen­to virar contra si. O que ele es­cre­veu está registrado, tem que pedir desculpas, sumir do mapa e esperar passar”, analisou Alves.

Saiba mais

Exposição - A liberdade de expressão na internet, segundo o presidente da OAB Pernambuco, Pedro Henrique Alves, é vigiada pela coletividade. “O patrulhamento social exige um comportamento politicamente correto. É preciso ter cuidado com o que se expõe publicamente nas redes sociais para não fugir do controle”.
O presidente da OAB Pernambuco também atenta a esse novo tipo de “patrulhamento social”. “As pessoas são demitidas, ameaçadas quando postam comentários preconceituosos. A gente tem que aprender a conviver com essa nova realidade para que a intolerância não seja respondida com a intolerância”, afirmou. Na situação do professor da UFRPE, ele também recebeu comentários de ódio, o que o torna uma vítima. “Numa situação como essa, quem comenta retrucando pode ser punido”, disse Alves.

Mas nem todo caso pode ser resolvido dentro da própria internet. Como o exemplo da estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo. Após as eleições presidenciais em 2010, ela incitou o assassinato de pessoas do Nordeste em seu perfil do Twitter ao escrever “Nordestino não é gente. Faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado”. “Ela sofreu a sanção imediata do que fez pelos usuários das redes sociais. Foi moralmente atacada, mas o OAB também ingressou com uma ação e ela foi punida”, confirmou Pedro Henrique Alves. A garota foi condenada, em 2012, a cumprir um ano, cinco meses e 15 dias de prisão, mas a sentença foi convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de multa. 


Crime de honra: hora de procurar advogado


Calúnia, injúria, difamação. Quando algum comentário de ódio atinge uma pessoa ou empresa, o aconselhável é buscar opiniões de algum advogado, informou o presidente da OAB Pernambuco, Pedro Henrique Alves. “Ele vai dizer se o caso vale uma ação pública, uma pública condicionada ou privada”, disse. Alves explica que em uma ação pública, o Ministério Público é acionado. Em uma pública condicionada, é preciso a representação do ofendido. Já a privada, a pessoa entra diretamente com uma queixa-crime na Justiça. “O advogado é importante para opinar no caso ou indicar alguém que saiba. Ele vai informar se é para entrar com uma ação indenizatória nas Pequenas Causas, por exemplo”.

Em agosto do ano passado, três mulheres foram condenadas pela Justiça de Piracicaba a pagarem R$ 100 mil à Habibs e se retratarem no Facebook por organizarem um protesto contra a rede na plataforma de Mark Zuckerberg. Após uma funcionária tirar um cachorro do estabelecimento, ele foi atropelado. As mulheres organizaram um boicote à loja na rede social, gerando repercussão. As três afirmaram que apenas reproduziram matérias veiculadas na imprensa. Nos casos de crime contra a honra, Alves diz que não é preciso seguir até uma delegacia. “Esses tipos de crimes são de ação privada. Às vezes, a pessoa precisa esperar o delegado olhar a queixa e quando ele observa que não é assunto da jurisdição, o caso é arquivado e só há perda de tempo”. Para ele, há necessidade de uma especializada somente em casos que um perfil fake é usado. “Esses crimes dependem de investigação, então dá para acionar a polícia”, informou. 

Saiba mais

Casos - Quando a vítima de preconceito na internet não tem dinheiro para contratar um advogado, ela pode recorrer à Defensoria Pública do Estado de Pernambuco. O prédio fica na Rua Marques Amorim, 127 - Boa Vista. Telefone: 3216-9797.

Páginas - Páginas que expõem e incitam conteúdo odioso também podem ser processadas por pessoas ou entidades.



“Pessoas não têm mais receio em abrir queixa”

Entrevista / Joselito Kehrle (Chefe da Diresp)

Bruno Campos/Arquivo Folha

KEHRLE vê balanço positivo da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos desde criação
A Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos está em funcionamento desde o segundo semestre de 2013. O chefe da Diretoria Integrada de Polícia Especializada (Diresp), Joselito Kehrle, está à frente interinamente da jurisdição, que recebe, em sua maior parte, denúncias de estelionato ou imagens expostas sem autorização. Embora queixas de calúnia ou difamação na rede não precisem ser feitas no local, os agentes podem participar da investigação caso haja necessidade ou pedido de outro órgão competente.

THULIO FALCÃO

thuliofalcao@folhape.com.br 

As pessoas ainda têm receio de abrir alguma denúncia quando envolve internet?
Joselito Kehrle - Hoje eu não sinto mais esse receio das pessoas em abrir uma queixa com a divulgação da delegacia na mídia. No início, sim, porque as pessoas desconheciam a nossa forma de atuação. Elas achavam que elas seriam expostas ao procurarem a delegacia, mas a gente trabalha para que a vítima sinta-se segura. Eu sinto uma procura numa escala progressiva.

Qual o balanço que o senhor faz desde o começo do funcionamento da delegacia?
Joselito - O balanço que eu faço é muito positivo. A gente sabe da dificuldade de se identificar os autores do crime, mas os procedimentos estão sendo remetidos à Justiça com indiciamento e, quando há êxito na captura, essas prisões são realizadas.

Que tipo de crimes a delegacia atende?
Joselito - A delegacia atende crimes cibernéticos impróprios. Como por exemplo, compra em site de venda coletiva. Se o usuário compra um produto e não recebe exatamente como ele é, nós apuramos também.

A delegacia trabalha em parceria com outros órgãos?
Joselito - Sim. Em caso de pedofilia, por exemplo, a delegacia pode apurar a denúncia e repassar para a Polícia Federal, ou então auxiliar a Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente.

Os agentes desta delegacia de crimes cibernéticos são especializados na área ou têm algum tipo de treinamento?
Joselito - Alguns já ingressaram na polícia com esse conhecimento e outros foram capacitados. Mas os agentes com conhecimento em informática também passam por uma reciclagem.

Qual é a demanda da delegacia?
Joselito - A delegacia começou com uma demanda razoável e hoje a gente faz uma triagem do que acontece nos distritos. Desde a abertura, temos 60 procedimentos - entre invasão de conteúdo ou estelionato.

A maioria das denúncias é feitas por homens ou mulheres?
Joselito - Quase 100% das queixas de estelionato são feitas por homens. Já de invasão de conteúdo, a totalidade é quase das mulheres.

Como o senhor vê o cenário da internet no Brasil e a criação de delegacias especializadas?
Joselito - Hoje não há como não investigar os crimes cibernéticos. Assim como a internet auxilia nas pesquisas científicas, favorece também as associações criminosas. Ela é usada para o bem e para o mal. Há especialização da polícia para o combate a essa má utilização da tecnologia. 


Publicações embasadas no preconceito tomam conta da rede

Pesquisa do Ipea abriu discussão sobre cultura do ódio na internet

“Ser no tempo é ser em via de já não ser”. A frase do filósofo francês André Comte-Sponville explica, talvez perfeitamente, o atual comportamento de usuários da internet que fazem apologia ao preconceito, seja de caráter religioso, sexual, ou até mesmo ao estupro - dada à repercussão da pesquisa mal interpretada do Ipea. O anonimato em sites, blogs e redes sociais é usado pelas pessoas para transformar comentários em armas para fomentar a cultura do ódio. A partir desta quarta-feira, a Folha de Pernambuco começa uma série de reportagens sobre a intolerância na rede, o porque desse comportamento, as questões jurídicas desses discursos e as consequências para quem já foi vítima desse tipo de atitude.

THULIO FALCÃO

thuliofalcao@folhape.com.br 

A cultura do ódio não é nova. A década de 1980 foi um momento de perseguição aos homossexuais, quando os primeiros ca­sos de Aids chegavam ao país e a associação da doença aos gays e travestis era automática. Em caso mais recente, no fim de mar­ço deste ano, sentimen­tos de raiva e fúria invadiram a in­ternet após uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgar que 65% das pessoas afirmavam que mulheres com rou­pas curtas merecem ser estupradas. À época, a jornalista brasiliense Nana Queiroz começou uma campanha #EuNãoMereçoSerEsturada, que teve a adesão de mulheres do Brasil que registra­ram fotos repudiando as agressões.

O movimento chegou a sair até na mídia internacional e desencadeou inúmeros comentários machistas e preconceituosos. Na sexta-feira passada, o Ipea revelou que houve um erro na pesquisa e que 26% dos entrevistados concordavam com o ataque às mulheres com roupas curtas, enquanto 70% discordavam total ou parcialmente da questão. Mas os discursos de ódio já estavam registrados em sites, fóruns e redes sociais. Essa intolerância, para o sociólogo e professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Nadilson Manoel da Silva, é reforçada pela internet.

“A rede potencializa essas tendências (preconceituosas) que existem na sociedade. Outra questão é o anonimato permitido”, revela o sociólogo. Nadilson explica que o usuário sente-se mais livre quando ele se “esconde” atrás do computador e imagina não haver punição às publicações de caráter agressivo. “Isso dá segurança para ele ser extremista, já que não está encarando a pessoa que ele ataca”. 

Por ser mais visível que outros meios de comunicação, a internet possibilita o encontro de usuários que compartilhem de opiniões preconceituosas e da difusão dessas ideias. “Sempre houve pessoas assim. Antes era difícil encontrá-las num ambiente real, mas hoje a internet permite a aproximação delas, a criação de grupos que partilhem de pensamentos preconceituosos, machistas, discriminatórios”, avalia Nadilson.

Saiba mais

Exoneração - Após afirmar sobre o equívoco da pesquisa, o diretor responsável pela área de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osório, pediu a exoneração do cargo.
Sobre a campanha #EuNãoMereçoSerEstuprada, o professor é enfático: “é um preconceito geral da sociedade. A cultura do machismo tem como carro-chefe o pensamento de que, quanto mais a mulher quer ser livre, mais ela deve ser ‘controlada’ pelos homens. Quando a jornalista deu início à campanha, a reação masculina foi bombardear a internet com comentários intolerantes”, analisa Nadilson. Essa discussão, para o sociólogo, leva a uma problemática monoteísta. “É a ideia do bem e do mal, certo e errado. Porque, para uns, é a mulher que tem que estar errada, mas o homem também pode estar”.

Ele também enxerga um lado positivo sobre a expressão desenfreada de pensamentos. “Quando se coloca preconceitos na rede, há também quem se posiciona contra, e isso fica visível. Ela potencializa uma situação já existente, mas abre espaço para a discussão sobre situações públicas e crimes cibernéticos, leis específicas que não existem ainda e da vulnerabilidade que a internet traz”, conclui o sociólogo.


Folha resume

A campanha #EuNãoMereçoSerEstuprada trouxe à tona a discussão sobre a cultura do ódio. Comentários carregados de preconceito e intolerância em fóruns, sites e redes sociais mostram uma sociedade que usa o anonimato da rede para expor opiniões extremistas sem o medo de responder por essas publicações. 


Tumblr denuncia comentários agressivos


Na internet, a página ‘Eu não mereço ser estuprada [Denuncia]’ (bit.ly/1qkNlCc) disponibiliza prints com comentários preconceituosos postados nas redes sociais. O tumblr colaborativo, que foi criado dia 30 de março, possui mais de 500 seguidores e recebe diariamente cerca de 40 e-mails, alguns com mais de uma denúncia anexa. As fotos podem ser enviadas para o endereço eunmse@gmail.com. Um membro da equipe, que preferiu não se identificar, informou que a ideia é dar “visibilidade às pessoas que acreditam que a internet é um mundo paralelo, onde elas podem publicar suas opiniões (violentas, preconceituosas, etc), sem serem responsabilizadas”. A página também pretende levar essas denúncias ao Ministério Público. “Ainda não tivemos a oportunidade de falar sobre isso, mas não descartamos a possibilidade”, disse.


Postagens com conteúdo de ódio são listadas na página
Os comentários divulgados no tumblr são carregados de preconceito. Um garoto publicou no Facebook que “não só meninas (merecem ser estupradas), alguns moleques também”. Uma menina relaciona a violência contra a mulher: “Roupa nenhuma é motivo para um estupro”, escreveu. Outra complementou o comentário com “acho que as meninas têm que ter consciência. Não precisa estar nua para ser bonita”. Já um adolescente disse que os estupradores são doentes mentais por estarem “‘perigando’ pegar um HIV, ainda mais nos dias de hoje“.

Criar polêmica parece ser a intenção de alguns usuários. “Alguns não exitam em fazer uso desses recursos em troca de alguns minutos de atenção. A internet parece ter virado um espaço de proselitismo irracional, onde tudo é permitido. O distanciamento entre o ‘espaço virtual’ e o ‘real’ faz com que o debate seja esvaziado e todo o lugar, que permita o mínimo de expressão, se torne um palanque”, opinou um dos membros do tumblr.
Fonte: http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/Projetos/INT_NET/index.html

A PARTIR DOS TEXTOS DE APOIO E DE TUAS VIVÊNCIAS, ESCREVE UM TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO SOBRE O TEMA:  DISCURSOS DE ÓDIO NA INTERNET.
Lembra de elaborar proposta de intervenção para o problema.